Nunca vou trocar Cabo Verde por nenhum país do mundo
Tcheka é um talento do país do ritmo mais africano, Cabo-Verde. Nasceu a 20 de Julho de 1973 na Ilha de Santiago. Desde muito cedo que se habitou à música com os ensinamentos do popular violinista Nhô Raul Andrade, seu pai.
Quando mais velho foi para a Cidade da Praia onde se tornou cameraman para a televisão nacional, trabalho esse, que lhe alargou horizontes. Conheceu o jornalista Júlio Rodrigues e juntos começaram a tocar em bares, daí até gravar o seu primeiro álbum, foi apenas um salto.
O seu objectivo é fazer do batuque um ritmo universal e apenas refere que «nunca fiz música para ir longe. Eu quero é ter espaço para tocar».
Em Portugal podemo-lo ver no África Festival, na Torre de Belém, a 7 de Julho.
Como começou a cantar?
Comecei em casa com meu pai aos 9 anos. Ele necessitava de músicos. Inicialmente fui obrigado a aprender mas depois até fui pedir ao meu irmão mais velho para me ensinar.
Quando fiz 18 fui para a Capital, a Cidade da Praia, e a partir daí comecei a ouvir novas músicas e a aprender novos sons. Cabo-Verde não é só mornas, embora elas sejam uma importante parte da nossa cultura.
É conhecido pelo seu batuque. Como surge nas suas músicas esse som que antigamente era tocado pelas mulheres e proibido pela igreja?
O batuque é muito característico da ilha de Santiago, era aí a maior concentração de escravos. Gostei do som e comecei a trabalhar nesse sentido. Antes só tocava morna e achei que devia tocar uma coisa diferente. Também porque fui impulsionado pelo meu amigo jornalista Júlio Rodrigues. Nunca tive numa escola para aprender, portanto foi tudo por ouvido.
O seu primeiro álbum foi produzido por José da Silva, empresário de Cesária Évora. Conte-me como foi esse encontro?
Estava a tocar num bar com esse meu amigo jornalista e o José da Silva viu e achou interessante, disse-me que seria bom gravar um CD. Para ser sincero eu nem sabia quem ele era só muito depois é que soube que ele era o empresário da Cesária. Nunca o levei a sério até porque só soube dele passado quatro anos desse primeiro encontro. Depois voltaram-me a propor gravar uma maqueta, mas tal como a primeira vez as coisas só se concretizaram passados dois anos. Antes disso ainda fiz duas compilações uma delas a “Ayan”.
Fale-me do seu primeiro álbum «Argui».
Esse disco foi uma grande experiência para mim até porque gravei com uma equipa muito boa. Incuti vários sons porque a minha intenção na música é fazer coisas novas, ritmos diferentes sem perder a base cabo-verdiana. Tchabeta foi um dos ritmos que utilizei. Assim, trouxe a música dos escravos, o batuque misturado com a guitarra.
Canto em crioulo e não é por acaso, tenho mesmo vontade de assegurar que o crioulo não perca a sua identidade, ele é parte da nossa raiz.
Compôs duas músicas, «Tabanka Assigo» e «Ma`n Ba Dês Bês Kumida Dâ» para a Lura. Como foi essa experiência?
Nunca componho para os outros, apenas faço para mim. Mas se outra pessoa gostar de cantar o que faço, não me importo. Eu não conhecia a Lura e convidaram-me para fazer duas músicas para ela cantar e eu dei-as e ficou bem.
Lançou recentemente o álbum «Nu Monda»editado pela lusafrica. Fale-me um pouco desse trabalho.
Este álbum volta a ser mais um estudo da minha raiz cabo-verdiana com a ajuda da minha equipa.
Dei o nome «Nu Monda» que quer dizer o retirar das ervas daninhas, o retirar daquilo que não nos deixa crescer. Foi uma metáfora que utilizei propositadamente neste álbum.
Juntei mais sons de Cabo Verde. Ainda há muitos para dar a conhecer e é preciso espalhá-los por outros lados.
Como surgiu o prémio RFI ( Rádio France Internacional) que ganhou em 2005 no Dacar?
Inicialmente não tinha ideia do que significa esse prémio. Fui seleccionado e ganhei. Fiquei contente pois fui lá demonstrar a minha terra e música. Foi um prémio do mundo o que me dá imensa alegria.
Esta iniciativa dá oportunidades para os artistas.
Cabo-Verde é e será sempre a sua inspiração?
Nunca vou trocar Cabo-Verde por nenhum país do mundo. A minha juventude foi lá e as minhas vivências também, portanto é lá a minha casa.
Já lhe chamaram o cronista de Cabo-Verde…
Sim, porque acho importante falar sobre as coisas bonitas de lá. Se estivermos fora então ainda vamos dar mais valor.
Rita Pablo
Fonte: Expresso
16:27 21 Março 2006












quero ouvir musicas do grupo os quatro musicas antigas
Oi Tidiane, queres ouvir tens de comprar os CDs deles, nós aqui não pomos material sem autorização.
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